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Comer mais para emagrecer? O que é a 'dieta reversa' e quais são os riscos?

Samantha Cerquetani - Colaboração para VivaBem


Quem não gostaria de comer mais e, ainda assim, manter ou perder peso? Nos últimos meses, a "dieta reversa" (ou reverse diet, em inglês) ganhou destaque nas redes sociais, principalmente no TikTok, com influenciadores prometendo que seria possível aumentar a ingestão de alimentos sem engordar.


De forma geral, a ideia da dieta reversa é aumentar gradualmente a ingestão calórica após períodos de restrição alimentar, com o objetivo de restaurar o metabolismo e evitar o ganho de peso rápido. Mas será que realmente funciona para todos?

"A dieta reversa não é uma estratégia de perda de peso. O objetivo é a suposta recuperação do metabolismo após uma dieta e não causar déficit calórico. Não há evidências sólidas de que ela promova emagrecimento além do que já se obtém com métodos convencionais. Algumas pessoas aplicam princípios semelhantes para evitar o reganho de peso, mas os estudos controlados sobre o tema ainda são muito limitados", explica Paula Fábrega, endocrinologista.


Como funciona a dieta reversa e para quem é indicada?


A dieta reversa visa reintroduzir calorias de forma gradual após um período de restrição alimentar, com o objetivo de restaurar o metabolismo, reduzir o ganho de peso rápido e "treinar" o corpo a consumir mais sem acumular gordura. Na prática, esse aumento costuma variar entre 25 e 200 kcal por semana, dependendo da necessidade individual.

Também conhecida como reintrodução calórica gradual, essa prática pode ser indicada por profissionais de saúde em situações específicas, como:

  • Atletas que passaram por cortes extremos de calorias antes de competições e precisam retomar a ingestão sem recuperar gordura rapidamente;

  • Pessoas que finalizaram dietas muito restritivas, para ajudar o organismo a se readaptar ao consumo de manutenção de forma controlada, com acompanhamento do peso e da composição corporal;

  • Prevenção de desconfortos digestivos que podem surgir quando a alimentação é aumentada de forma abrupta;

Indivíduos com sinais de adaptação metabólica, como cansaço, dificuldade para perder peso, queda no desempenho físico ou alterações hormonais após períodos prolongados de restrição calórica.

"O sucesso dessa estratégia nas redes sociais se deve ao fato de prometer um retorno ao hábito alimentar anterior sem recuperar todo o peso perdido, o que naturalmente desperta curiosidade. Mas trata-se de uma ferramenta de reprogramação e manutenção metabólica, ou de adequação nutricional, depois de atingir um objetivo", explica Layla Louise, nutricionista da Beneficência Portuguesa de São Paulo.


A dieta reversa pode emagrecer?


Não diretamente. A dieta reversa não é indicada pelos profissionais de saúde para promover o emagrecimento. Não há evidências de que ela permita à pessoa comer mais sem ganhar peso. Muitas vezes, a sensação de "metabolismo acelerado" está relacionada a fatores como o aumento da atividade física, o ganho de massa muscular ou a recuperação do corpo após um período de restrição calórica.

Na prática, o organismo apenas retorna ao seu funcionamento normal, e não há comprovação científica de que aumentar gradualmente as calorias semanalmente consiga treinar o metabolismo de forma permanente para facilitar a perda de peso.

No entanto, a reintrodução gradual de calorias pode trazer outros benefícios, como melhora da energia, da disposição e do desempenho físico, além de influenciar hormônios relacionados à fome, como a leptina e a grelina.


Riscos da dieta reversa


Apesar de parecer simples, a dieta reversa pode gerar uma falsa sensação de "mágica", levando algumas pessoas a consumir calorias demais e recuperar peso rapidamente.

Além disso, pode sustentar ciclos de restrição e compulsão alimentar, favorecendo o efeito sanfona e prejudicando a relação com a comida. A frustração por falta de resultados concretos pode causar estresse psicológico e, quando não acompanhada por um profissional, há risco de carências nutricionais ou de excesso calórico.

Paula Fábrega, endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês de Brasília

A pessoa também pode ter dificuldade em ajustar a dieta à rotina diária e notar impacto negativo na qualidade do sono. Alterações no humor e na disposição física podem surgir, assim como o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados na ausência de orientação adequada. E as mudanças bruscas.


Cuidados importantes e acompanhamento profissional


Especialistas alertam que, antes de seguir qualquer orientação sobre dieta reversa observada nas redes sociais, é preciso ter cautela. Entre os cuidados recomendados estão:

  • Conferir se quem dá as dicas é um profissional qualificado, como um nutricionista registrado no Conselho Regional de Nutricionistas, e não apenas um influenciador ou "coach fitness";

  • Desconfiar de promessas milagrosas, como "acelerar o metabolismo", que geralmente não têm base científica;

  • Ter atenção a programas pagos que não deixam claro em que evidências se fundamentam;

  • Lembrar que cada pessoa tem metabolismo, composição corporal e histórico alimentar diferentes. Portanto, "copiar" protocolos prontos pode gerar efeitos indesejados;

    Evitar dietas que incentivem a contagem obsessiva de calorias, especialmente para quem tem histórico de transtornos alimentares;

  • Consultar um profissional antes de combinar a dieta reversa com outras estratégias, como o jejum intermitente ou o uso de suplementos, já que os efeitos combinados não têm comprovação científica.

Vale destacar que o acompanhamento de um nutricionista é essencial para que qualquer plano alimentar seja realizado de forma segura e eficaz. O profissional calcula individualmente o gasto de energia de cada pessoa, considerando o metabolismo e o nível de atividade, e, em seguida, define um aumento ou redução gradual e realista de calorias.

Durante o processo, o foco é manter uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes, evitando deficiências ou excessos. O progresso é monitorado de perto por meio do peso, das medidas corporais, da energia, do sono e de outros sinais do corpo.


Existem contraindicações?


"Não existem contraindicações formais para realizar a dieta reversa, desde que a pessoa siga as orientações do profissional de saúde. No entanto, não há diferença entre ela e outras formas de dieta de manutenção de peso. Ainda são necessários mais estudos sobre a dieta reversa", diz Andrea Pereira, nutróloga e cofundadora da ONG Obesidade Brasil.


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